Congregação das Irmãs de São João Batista

Província Brasileira

 

Era apenas uma jovem enamorada que, no frescor da sua mocidade, desejou ardentemente consagrar a sua vida ao Senhor Jesus. E o fez, com tanta alegria, com tanta coragem, sem se preocupar com o que lhe poderia vir depois.
A grande surpresa não se fez esperar: com apenas 24 anos de idade era convocada para uma grande missão. Como um soldado pronto a dar o sangue e a vida pela sua pátria, ela disse “sim” – não para dar a vida pela sua Pátria, mas por uma Pátria que não era sua, por um povo que nem mesmo conhecia. Mas, “o operário do Senhor não escolhe lugar” dizia o nosso Fundador, Beato Afonso Maria Fusco, e ela compreendeu muito depressa o significado destas palavras.
Os obstáculos vieram rápido, a Segunda Grande Guerra tornava impraticável qualquer sonho ou decisão: partir, não era tão simples. Precisou esperar…esperar…mas sempre fortalecendo-se na paciência, na oração e na caridade a quantos lhe eram próximos.
Algum tempo depois, em setembro de 1939, unida à suas quatro companheiras, dá “adeus” à família, aos amigos, às co-irmãs, à sua querida Itália e parte rumo ao desconhecido. Viagem plena de incertezas e de perigos, canhões ribombavam nos ares, naves afundavam no oceano imenso, mulheres nos portos, choravam a morte de seus maridos, filhos, irmãos e a destruição reinava por toda parte.
A jovem Teresa transformada em Irmã Scolástica não tinha medo, sabia que estava nas mãos do seu Amado Senhor e que a Ele pertencia a sua vida. Os dias foram longos e a viagem parecia interminável, quando se aproximaram do País-continente e Augustus, a grande nave, aportou-se no Rio de Janeiro, onde foram acolhidas por uma Irmã Dominicana que as levou para sua casa onde foi servido o almoço, o primeiro no Brasil.
Outros tantos dias para as exigências burocráticas e a viagem recomeça com o trem para Belo Horizonte, onde são acolhidas pelo Bispo e as gentis Irmãs de Nossa Senhora do Monte Calvário que acompanham nossas Pioneiras ao Orfanato Santo Antônio, das Irmãs Franciscanas do Sagrado Coração. Foram outros cinco dias de espera antes de chegar ao destino, numa viagem ainda de trem – pequeno e lento, balançando e soltando faíscas, com baldeação em Divinópolis, Gonçalves Ferreira, Lamounier e, finalmente, Itapecerica.
Eram 23h30min. Uma multidão estava esperando na estação. E o povo batia palmas dizendo: Bem-vindas! Bem-vindas ao Brasil! Bem vindas a Itapecerica!
A banda tocava, soltavam fogos e uma multidão esperava… Elas, as Pioneiras não sabiam que toda aquela festa era para elas que vinham de tão longe mudar a história da nossa terra.
“A mania de relembrar o passado é um dos sinais de velhice, entendida como vida que se está acabando. Todo o mundo sabe disto, especialmente quem, paciente ou impacientemente é obrigado a escutar uma pessoa idosa a começar mais uma vez a conversa: “Recordo-me…”.
Mas é também sinal de morte virar as costas ao passado e não sentir a necessidade de parar um pouco para amarrar, ao redor de um sentido, fatos dispersos no tempo e no espaço. Não é possível viver plenamente a vida de hoje, sem descobrir nela as marcas do passado. Eis ai: mania se transformando em sinais de vida e vida querendo se transmitir para que se viva plenamente hoje o ideal que foi vivido ontem”.
Nossa querida Ir. Scolástica revivia estas recordações que nos contava com tanta emoção e que deixou registradas em um pequeno opúsculo: “Relembrando o nosso nascer na terra de Santa Cruz”.
Cuidou dos doentes, das crianças orfãs, da formação das primeiras Batistinas Brasileiras… Queria que todas as jovens formandas aprendessem a língua italiana e se preparassem para bem conduzir os destinos da missão Batistina no Brasil.
A vida foi sempre de muito sacrifício, de privações…mas não faltaram a fé, o espírito de doação, o amor intenso a este povo que ela adotou com todo o seu coração e junto do qual quis permanecer para sempre, amalgamando-se com a nossa terra tornada sua.
O seu exemplo de vida, de fidelidade extrema, de pobreza e desapego, de obediência ao Senhor que chama e que envia, continuará em nossas mentes e em nossos corações.
Após 73 anos vividos em nossa Pátria, que se tornou sua segunda Pátria, a serviço do Reino, Irmã Scolástica faleceu em Belo Horizonte aos 19 de junho de 2012 e como era seu desejo foi sepultada em Itapecerica MG.
A sua partida nos deixa orfãs da sua materna presença, deste referencial seguro, desta ligação forte e essencial com as nossas origens, com a nossa história.

Querida Ir. Scolástica,
Nós não nos esqueceremos do passado. É vital para nós conservar estes fatos como linfa poderosa que nos mantem fortes e que nos indica a direção certa – aquela que você e suas companheiras, no vigor da sua juventude e da sua bondade vieram de tão longe nos trazer, oferecendo-nos com ela, uma nova vida.
Obrigada, minha querida e, chegada ao seu definitivo destino, tenho certeza de que você contará ao Senhor da messe, às nossas queridas Irmãs que ali encontrará e ao nosso querido Fundador, como estamos e quais são as nossas necessidades. Assim, a sua missionariedade na terra de Santa Cruz, enriquecida com aquela de todas as outras Batistinas no Paraíso, continuará para sempre na vida e na ação de cada uma de nós que, seguindo o seu exemplo e de todas as nossas predecessoras, continuamos na fé, na esperança, no serviço aos pequenos e pobres, a missão que vocês começaram e para a qual nos prepararam com o seu amor, coragem e determinação.
A ÚLTIMA DAS CINCO PIONEIRAS

Era apenas uma jovem enamorada que, no frescor da sua mocidade, desejou ardentemente consagrar a sua vida ao Senhor Jesus. E o fez, com tanta alegria, com tanta coragem, sem se preocupar com o que lhe poderia vir depois.

A grande surpresa não se fez esperar: com apenas 24 anos de idade era convocada para uma grande missão. Como um soldado pronto a dar o sangue e a vida pela sua pátria, ela disse “sim” – não para dar a vida pela sua Pátria, mas por uma Pátria que não era sua, por um povo que nem mesmo conhecia. Mas, “o operário do Senhor não escolhe lugar” dizia o nosso Fundador, Beato Afonso Maria Fusco, e ela compreendeu muito depressa o significado destas palavras.

Os obstáculos vieram rápido, a Segunda Grande Guerra tornava impraticável qualquer sonho ou decisão: partir, não era tão simples. Precisou esperar…esperar…mas sempre fortalecendo-se na paciência, na oração e na caridade a quantos lhe eram próximos.

Algum tempo depois, em setembro de 1939, unida à suas quatro companheiras, dá “adeus” à família, aos amigos, às co-irmãs, à sua querida Itália e parte rumo ao desconhecido. Viagem plena de incertezas e de perigos, canhões ribombavam nos ares, naves afundavam no oceano imenso, mulheres nos portos, choravam a morte de seus maridos, filhos, irmãos e a destruição reinava por toda parte.

A jovem Teresa transformada em Irmã Scolástica não tinha medo, sabia que estava nas mãos do seu Amado Senhor e que a Ele pertencia a sua vida. Os dias foram longos e a viagem parecia interminável, quando se aproximaram do País-continente e Augustus, a grande nave, aportou-se no Rio de Janeiro, onde foram acolhidas por uma Irmã Dominicana que as levou para sua casa onde foi servido o almoço, o primeiro no Brasil.

Outros tantos dias para as exigências burocráticas e a viagem recomeça com o trem para Belo Horizonte, onde são acolhidas pelo Bispo e as gentis Irmãs de Nossa Senhora do Monte Calvário que acompanham nossas Pioneiras ao Orfanato Santo Antônio, das Irmãs Franciscanas do Sagrado Coração. Foram outros cinco dias de espera antes de chegar ao destino, numa viagem ainda de trem – pequeno e lento, balançando e soltando faíscas, com baldeação em Divinópolis, Gonçalves Ferreira, Lamounier e, finalmente, Itapecerica.

Eram 23h30min. Uma multidão estava esperando na estação. E o povo batia palmas dizendo: Bem-vindas! Bem-vindas ao Brasil! Bem vindas a Itapecerica!
A banda tocava, soltavam fogos e uma multidão esperava… Elas, as Pioneiras não sabiam que toda aquela festa era para elas que vinham de tão longe mudar a história da nossa terra.

“A mania de relembrar o passado é um dos sinais de velhice, entendida como vida que se está acabando. Todo o mundo sabe disto, especialmente quem, paciente ou impacientemente é obrigado a escutar uma pessoa idosa a começar mais uma vez a conversa: “Recordo-me…”.
Mas é também sinal de morte virar as costas ao passado e não sentir a necessidade de parar um pouco para amarrar, ao redor de um sentido, fatos dispersos no tempo e no espaço. Não é possível viver plenamente a vida de hoje, sem descobrir nela as marcas do passado. Eis ai: mania se transformando em sinais de vida e vida querendo se transmitir para que se viva plenamente hoje o ideal que foi vivido ontem”.
Nossa querida Ir. Scolástica revivia estas recordações que nos contava com tanta emoção e que deixou registradas em um pequeno opúsculo: “Relembrando o nosso nascer na terra de Santa Cruz”.

Cuidou dos doentes, das crianças orfãs, da formação das primeiras Batistinas Brasileiras… Queria que todas as jovens formandas aprendessem a língua italiana e se preparassem para bem conduzir os destinos da missão Batistina no Brasil.

A vida foi sempre de muito sacrifício, de privações…mas não faltaram a fé, o espírito de doação, o amor intenso a este povo que ela adotou com todo o seu coração e junto do qual quis permanecer para sempre, amalgamando-se com a nossa terra tornada sua.

O seu exemplo de vida, de fidelidade extrema, de pobreza e desapego, de obediência ao Senhor que chama e que envia, continuará em nossas mentes e em nossos corações.

Após 73 anos vividos em nossa Pátria, que se tornou sua segunda Pátria, a serviço do Reino, Irmã Scolástica faleceu em Belo Horizonte aos 19 de junho de 2012 e como era seu desejo foi sepultada em Itapecerica MG.

A sua partida nos deixa orfãs da sua materna presença, deste referencial seguro, desta ligação forte e essencial com as nossas origens, com a nossa história.



Querida Ir. Scolástica,

Nós não nos esqueceremos do passado. É vital para nós conservar estes fatos como linfa poderosa que nos mantem fortes e que nos indica a direção certa – aquela que você e suas companheiras, no vigor da sua juventude e da sua bondade vieram de tão longe nos trazer, oferecendo-nos com ela, uma nova vida.

Obrigada, minha querida e, chegada ao seu definitivo destino, tenho certeza de que você contará ao Senhor da messe, às nossas queridas Irmãs que ali encontrará e ao nosso querido Fundador, como estamos e quais são as nossas necessidades. Assim, a sua missionariedade na terra de Santa Cruz, enriquecida com aquela de todas as outras Batistinas no Paraíso, continuará para sempre na vida e na ação de cada uma de nós que, seguindo o seu exemplo e de todas as nossas predecessoras, continuamos na fé, na esperança, no serviço aos pequenos e pobres, a missão que vocês começaram e para a qual nos prepararam com o seu amor, coragem e determinação.